Alysson Mascaro | Filosofia do Direito

1 SOBRE A FILOSOFIA Perguntar sobre a filosofia do direito é, antes de tudo, perguntar sobre a própria filosofia , para apenas depois tratar daquilo que lhe seja especificamente jurídico . Mas o que pode ser considerado por filosofia? Qualquer pensamento que surja inesperadamente, parecendo ser diferente do senso comum, já pode ser chamado de filosófico? Mas e se esse pensamento, na verdade, for tão somente uma divagação rasa e superficial sobre as coisas do próprio senso comum? É necessário, para pensar filosoficamente, acompanhar toda a tradição filosófica já estabelecida, ou alguém pode começar a filosofar sem ter ne- nhum lastro com a tradição? A filosofia é uma verdade eterna ou histórica? Vemde Deus ou dos homens? Os filósofos sempre responderam a essas perguntas de muitos modos distintos, o que torna esse objeto específico – a filosofia, como pensamento sistemático, radical e pleno – uma região geograficamente muito variável do conhecimento humano. A FILOSOFIA COMOTRADIÇÃO É preciso que se faça, antes de um mergulho na própria teia do saber filosófico, uma espécie de história ou de sociologia da filosofia. Na realidade social quotidiana, o que se chama atualmente por filosofia? Alguns poderiam chamar por filosofia aquilo que considerassem o mais alto dos saberes humanos. Mas um líder espiritual oriental, por exemplo, que dissesse aos seus liderados que atingiu o ápice da sabedoria, não seria por nós classificado como um filósofo, e sim como um religioso. Há um certo setor dos conhecimentos, e um certo modo de abordagem desses conhecimentos, que reputamos por filosofia. Essa reputação não é dada, intrinsecamente, apenas pelo mérito do que é pensado, mas, sim, pela opinião comum dos que formam essa mesma reputação. A filosofia é identificada, contemporaneamente, como uma tradição consolidada de pensamentos, temas, ideias, métodos, indagações e conclusões. Além disso, é uma disciplina universitária, estabelecida e especificada em relação aos demais ramos do co- nhecimento. A depender do modo como se trata a questão da sociedade, se lidamos com estatísticas, análises de movimentos empíricos concretos, costuma-se dizer que estamos fazendo sociologia. Se nos perquirimos sobre o sentido da sociedade, costuma-se dizer então que estamos fazendo filosofia. Assim, a filosofia é identificada a partir de uma série específica de percepções a respeito da própria razão.

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